INICIO

    Tudo começou em 2001 quando o funcionário Idair Antonio Vieira – Motorista da Transbus teve a idéia de fazer uma campanha de solidariedade. Partilhou de seu objetivo com o Warley dos Santos Honório – Encarregado de tráfego  que logo se tornou seu companheiro nesta nobre campanha. Fizeram a divulgação entre os funcionários. A abordagem foi feita nos pontos finais das linhas de ônibus, tendo uma adesão quase que total. Cada funcionário contribuiria com um ticket alimentação durante três meses para compra de alimentos que seriam enviados ao Norte de Minas, mais precisamente para a cidade de Pai Pedro - cidade de população mais carente em Minas Gerais. A causa já existia, os trabalhos iniciados e mais pessoas para ajudar.  Mas as dificuldades eram grandes. Havia a necessidade de transportar os alimentos, roupas e brinquedos doados, para que cegassem às mãos de quem realmente necessitasse. Foi pedido ajuda então aos Diretores do Grupo Rodap e da Transnorte, que com muita satisfação e empenho concederam os veículos  de transporte. A cada dificuldade todos se empenhavam mais, pois viam florescer o fruto de tanto trabalho.  E existiu quem colocasse em dúvida o destino real das doações com insinuações de que tal campanha seria para beneficio próprio de alguns. Realmente alguns funcionários se beneficiaram: Foram agraciados em ver lágrimas de felicidade que caíram pelo simples fato de se ter algo pra comer.  Mas isso não conseguiu abater quem realmente tinha um único propósito; ajudar o próximo.  Muitos funcionários pediram doações aos vizinhos e amigos. E a campanha foi crescendo e recebendo adesão de muitos que de alguma maneira souberam do movimento. Não importa se a responsabilidade é do governo, prefeito ou quem quer que seja ou se não conseguimos resolver o problema da miséria daquelas pessoas e nem queremos uma placa de bronze com nosso nome gravado. Nos esforçamos e sabemos que cada um fez o melhor. Mais de 14 toneladas de alimentos e donativos foram arrecadados e distribuídos.  Agradecemos a DEUS por ter nos dado força para superar as dificuldades e pelo maior presente que todos os que participaram desta campanha poderia receber: 654 FAMÍLIAS NÃO SENTIRAM FOME NESTE NATAL.


O TRABALHO

Sair do conforto de nossos lares sólidos em BH para conhecer um mundo bem mais duro, onde falta água potável e os destinos parecem ser cruéis com as pessoas. Bater de cara com um universo, antes distante e hoje tão palpável foi a missão dos funcionários de uma empresa de transporte coletivo situada na cidade de Ribeirão das Neves - MG, no vale do Jequitinhonha, na conclusão do projeto que se iniciou em 2001 e está em seu quinto ano, sempre contando com muitos voluntários que participam direta e indiretamente. Resta saber se alguém voltou o mesmo desta viagem pelo sertão, onde o lado seco de Minas, que parecia aprisionado por Guimarães Rosa em seu Grande Sertão Veredas, mostra que ainda há muita miséria no Estado de Aécio Neves. Nas moradias simples foram encontradas pessoas gigantes, que driblam a pobreza com uma enorme vontade de continuar lutando. A lição não poderia ser outra: uma reflexão sobre a vida. Afinal de contas, ficou bem claro que temos uma vida maravilhosa e reclamamos muito sem necessidade.

Desde o ano de 2001, quando começou o projeto, a vida de cada um que colabora nunca mais foi a mesma. O trabalho está conseguindo o efeito esperado, mobilizando um numero cada vez maior de adeptos. Tentando sensibilizar a comunidade a ser mais solidária, mais unida e preocupada com os problemas que atingem as pessoas carentes de Minas Gerais.  Desta vez, o trabalho mostrou o mesmo sucesso dos anos anteriores, mobilizando um numero maior de parcerias, levando mais de cinqüenta toneladas de alimentos para famílias carentes do vale do Jequitinhonha.

O projeto, coordenado pelos senhores Márcio Rodrigues  Idair Vieira já conta com mais de 1.000 participantes, que na sua maioria são funcionários de um grupo de empresas da região metropolitana de Belo Horizonte. E o que não falta é trabalho, desde a arrecadação de fundos, doação de donativos, compra, embalagem e distribuição de alimentos.


ETAPAS

Começamos todos os anos no mês de agosto, quando fazemos o trabalho interno com os funcionários. Os que aderem à campanha contribuem com Rr$10,00 mensais até dezembro. A providencia seguinte é a mobilização no sentido de aproximar comerciantes e pessoas em geral dispostas a colaborar com a causa que já é encampada por uma empresa de transportes que nos cedem os caminhões para o transporte da carga. Além disso, realizamos outros trabalhos como:

Um dia que os funcionários trabalham com as camisas da campanha. Colocamos faixas nos bairros, distribuição de panfletos, anuncio em rádios, eventos beneficentes, jornal nos ônibus e sempre buscando novas parcerias.

Com o dinheiro em mãos, fazemos a compra dos alimentos, muitos deles como feijão e a farinha compramos a granel, por causa do custo. Pesamos e embalamos tudo para montarmos as cestas.

Alem das cestas que é nossa prioridade, arrecadamos também todo tipo de donativos como roupas, calçados, brinquedos, colchões, etc.

Sabemos que a população do Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas Gerais, tida como uma das regiões mais miseráveis do país passa por sérias dificuldades, que são inúmeras e constantes. Mas ainda assim, a cada ano algumas cidades são ainda mais castigadas pela seca, necessitando mais de ajuda.

Por isso após calcular a quantidade de cestas que conseguiremos montar, todos os anos vamos até a Defesa Civil para colhermos informações sobre a situação das cidades. Sendo assim dividimos as cestas e escolhemos quantas cidades serão beneficiadas.

Pegamos também informações como localização, numero de habitantes, itinerários, guias para transporte de carga, dentre outros.

Todo mês de Dezembro, na véspera de Natal, saímos com um grupo de voluntários para as cidades beneficiadas do vale do Jequitinhonha para fazer o cadastramento e a entrega de doações. Todo o pessoal permanece aproximadamente quatro dias para a realização dos trabalhos. Dividimos os voluntários em pequenos grupos entre as cidades. Cada um tem uma meta a cumprir, ou seja,  cadastras as famílias, que recebem um cupom "Vale Cesta" para buscar as doações no local e horários indicados. Essa foi a maneira que encontramos de ser mais justo, levando ajuda aos que mais necessitam mesmo.

Após esta primeira etapa, cada grupo tem que conseguir local seguro para descarregar os donativos, contanto com o apoio do quartel militar de cada cidade, que quase sempre é a ajuda, salvo raras exceções .Fazemos a entrega  retornamos, com a felicidade de dever cumprido.


DIFICULDADES

O trabalho não é nada fácil, tendo em vista que as cidades são grandes em território, e as casas são longe umas das outras e muitas vezes de dificil acesso. A falta de apoio nas cidades, amá conservação das estradas, dificuldade de transporte do pessoal e da carga, a falta d'água e o calor são algumas das dificuldades enfrentadas.

Infelizmente, a política do nosso país é vergonhosa. Vereadores e Prefeitos destas cidades mesmo vivendo a realidade do povo sofrido. ainda tentam tirar aproveito da situação.

Todos os voluntários são orientados a não aceitar qualquer tipo de ajuda de políticos para que não se tire proveito político e eleitoral. Esta "ajuda" vem sempre acompanhada de interesses que não correspondem aos nossos objetivos.

Alem de muitas vezes alguns dificultarem o trabalho. O que nos envergonha e nos entristece profundamente. Fica registrada aqui nossa indignação.

Mas todo o esforço é recompensado ao saber que a ajuda chegou realmente nas mãos de quem mais necessita.


VOCÊ SABIA ???

O vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais pobres do Planeta

Naquela região cerca de 81% das casas não tem água.

41% das residências não tem esgoto.

50% da mão-de-obra recebem apenas meio salário mínimo.

42% da população é analfabeta.

32 milhões de brasileiros vivem na miséria.

09 de cada 100 crianças morrem de desnutrição antes de completar 1 ano de vida, isso só no Brasil.

De cada 100 caixas produzidas no campo, apenas 39 chegam à mesa do consumidor.

Os Supermercados desperdiçam 2,52% do seu faturamento, o que equivale por volta de 2 bilhões de reais por ano.

60% do lixo da cidade de São Paulo é orgânico, isto é, resto de alimentos.

39 mil toneladas de alimentos, ou seja 39 milhões de quilos são jogados fora. Isto é o suficiente para alimentar, também diariamente, 19 milhões de pessoas comas três refeições básicas (Café da manha, almoço e jantar).

Quando você faz qualquer coisa em favor do próximo, estará fazendo bem a si mesmo.


AGRADECIMENTOS

Em nome das 2 mil famílias que tiveram o que comer, pelo menos na Noite de Natal, no vale do Jequitinhonha, a nossa alegria pela solidariedade concretizada em forma de doação feita por cada um dos colaboradores da 5ª edição da nossa Campanha de Solidariedade.

Em breve publicaremos um balanço, em que listaremos as parcerias que nos ajudaram a manter esse trabalho.


OJETIVO

Temos Motivos de Sobra para estarmos satisfeitos com os resultados obtidos até aqui. Mas a tal satisfação parece inalcançável, quando sempre queremos mais. O que na verdade é muito bom, pois nos impulsiona a cada dia cumprir novas metas.

O movimento não deve ter donos e temos a necessidade de evitar que se tire proveito político e eleitoral de uma situação tão grave de miséria, incluindo a questão ética.

Queremos esclarecer também que não temos qualquer outro tipo de interesse neste trabalho que não o de ajudar o próximo. Por isso procuramos parceiros que realmente querem praticar a generosidade sem exibicionismo.


FAÇA AGORA SUA PARTE